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FORUM
DE DOR DAS ILHAS DO ATLÂNTICO
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ANALGESIA LOCO-REGIONAL NO
TRATAMENTO DA ISQUÉMIA
AGUDA DO MEMBRO SUPERIOR
Teresa Ferreira, Rui Silva, José França, Isabel Brazão, Ricardo Rodrigues –
Unidade de Terapêutica de Dor – Hospital Central do Funchal
Resumo: A isquémia aguda constitui uma situação preocupante do ponto de vista
clínico, necessitando de terapêuticas adequadas e atempadas. A isquémia do
membro superior e a sua amputação pela incapacidade resultante pode acrescer
todos os factores anteriores.
Os autores apresentam e descrevem dois casos clínicos de
isquémia do membro superior em que uma intervenção precoce e adequada da
Unidade de Terapêutica de Dor, com recurso a técnicas de anestesia
loco-regional por intermédio do bloqueio do plexo braquial e perfusão continua
de anestésicos locais, restabeleceu a circulação no membro lesado evitando a
amputação.
Estes concluem que o bloqueio simpático, precoce e
continuo do plexo braquial constitui uma alternativa terapêutica importante,
permitindo um tratamento adequado.
Caso 1:
Identificação: MRPR, sexo feminino, 35 anos, barman
Dos antecedentes pessoais há a salientar
toxicodependência, distúrbios psiquiátricos com vários atendimentos no Serviço
de Urgência (SU).
No dia
16/01/03 foi trazida ao SU por agitação motora, verborreia, agressividade,
tendo-lhe sido administrada terapêutica endovenosa. Nesse mesmo dia surge
isquémia do antebraço e mão, (imagens 1, 2 e 3) motivo pelo qual ficou
internada. Queixava-se de dor intensa na mão que se apresentava com edema,
flictenas e sinais de necrose.
Foi observada pelo cirurgião vascular que verificou
ausência de pulso no membro superior esquerdo (doppler Æ), o que provavelmente conduziria a amputação do referido membro.
Foi solicitada a intervenção do médico da Unidade de Dor
que propôs a realização de bloqueio axilar o qual foi impossível de efectuar
por recusa da paciente. Optou-se por um bloqueio supra-clavicular com
administração de bolus de lidocaína 1.5% (20cc) e levobupivacaína 0.25% (10cc).
Observou-se redução das flictenas, do edema e alívio imediato da dor. Algumas
horas mais tarde reaparecem os sinais clínicos e os sintomas, embora menos
exuberantes.
Em 19/01/03 a doente já consentiu a colocação de catéter
axilar, (imagem 4) tendo sido administrado um bolus de lidocaína 1.5% e
levobupivacaína 0.25% (total 40cc da mistura) seguido da colocação de DIB com
levobupivacaína 0.125% a perfundir 2 ml/h. Houve melhoria clínica e melhor controlo
da dor. Dois dias mais tarde há agravamento da isquémia e da dor, o que nos
levou a suspeitar de deslocamento do catéter (imagem 5). Nesse mesmo dia (21/1/03)
procedeu-se a bloqueio do plexo por abordagem inter-escalénica com colocação de
catéter, efectuando a pesquisa com neuroestimulador e recorrendo à radioscopia
de contraste (imagens 6, 7 3 8). A perfusão de levobupivacaína 0.25% efectuou-se
através de PCA (2ml/h, bólus de 4 ml, intervalo de 180 minutos). No dia
seguinte a dor estava de novo controlada e apresentava melhoria dos sinais
clínicos.
Uma semana depois foi confirmado o correcto
posicionamento do catéter e a paciente foi autorizada a deslocar-se à sua
residência (imagem 9). No dia 30/01/03 após melhoria evidente a paciente
exteriorizou o catéter. mantendo, no entanto, boa evolução (imagens 10 e 11).
Em 24/02/03 tem alta.
Actualmente a paciente apresenta-se sem qualquer queixa e
ausência de sinais clínicos de isquémia (imagem 12).
Caso 2:
Identificação: MLA, sexo feminino, 48 anos, empregada
auxiliar.
Dos antecedentes pessoais há a salientar a existência de
retracção cicatricial no braço direito, secundária a queimadura na infância.
Recorreu ao médico de família por aparecimento súbito de dor no referido braço,
tendo-lhe sido proposta fisioterapia. Posteriormente, cerca de uma semana após
esta consulta, apresenta quadro clínico compatível com isquémia distal.
Recorreu ao SU a 23/05/03 sendo submetida a embolectomia de emergência.
No pós-operatório há agravamento da isquémia distai
(antebraço e arcada palmar). O doppler confirmou a ausência de pulso sendo
previsível a amputação do membro. Foi pedida a colaboração da Unidade de
Terapêutica de Dor. Foi colocado catéter no plexo braquial, via axilar, administrado
um bolus de Lidocaína 1,5% e Levobupivacaìna 0,255 e iniciou uma perfusão
contínua de levobupivacaína 0.15% (3ml/h); observou-se melhoria sintomática e clínica.
Em 14/06/03 tem alta domiciliária, mantendo a perfusão. Em 23/06/03 houve
exteriorização do catéter. Após melhoria progressiva, retomou o trabalho.
Nesta doente procedeu-se à realização de termografias comparativas
em temperatura ambiental e após prova de provocação pelo frio, 48 horas após
ter suspenso a perfusão e 1 ano após. Inicialmente registamos padrões de
hipotermia com amplitudes térmicas muito importantes e significativas no
antebraço e mão direitos. (imagens 13, 14 e 15). A termografia realizada 1 ano
após revela francas melhoras (imagens 16, 17 e 18).
Actualmente encontra-se sem queixas: mantém a sua
actividade profissional, embora com algumas limitações.
Podemos concluir que a intervenção precoce e o bloqueio
contínuo do plexo braquial com anestésico local constituem um método eficaz no
tratamento da isquémia do membro superior.
Imagem 1
Imagem 2
Imagem 3
Imagem 4
Imagem 5
Imagem 6
Imagem 7
Imagem 8
Imagem 9
Imagem 10
Imagem 11
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