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FORUM
DE DOR DAS ILHAS DO ATLÂNTICO
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RESUMO: O
autor apresenta uma tradução livre de Neuromodulation of pain – Abstracts from
a consensus meeting in Brussels, 16-18 January 1998, utilizada na Unidade de
Terapêutica de Dor do H.C.F.. como norma nos os implantes para analgesia intra
tecal
PALAVRAS CHAVE:
Dor, Neuromodulação, consensus, analgesia intra tecal, indicações
Recomendações da Task Force da EFIC (European Federation os
IASP Chapters) para Neuromodulação da Dor -Bruxelas 16 a 18 de Janeiro de 1998 – European Journal of Pain (1999) 3:387 – 419
Administração intra tecal de Fármacos
· 1981 - Início das perfusões de morfina, após demonstração da acção directa dos opioides a nível da medula espinal;
· Surgem os sistemas implantáveis que permitem :
o administração fácil;
o terapêutica a longo prazo;
o inicialmente apenas para os doentes oncológicos;
o actualmente muitas patologias não oncológicas são tratadas com opioides administrados intra tecais.
· A terapêutica com opioides intra tecais produz:
o analgesia intensa, sem alterações motoras ou sensitivas;
o só deve ser utilizada quando:
§ a terapêutica oral ou sistémica com posologias adequadas é insuficiente;
§ associada com efeitos secundários muito importantes;
§ sempre precedida de provas teste;
· A administração intra tecal de morfina por intermédio de sistemas de perfusão implantáveis demonstrou:
o ser viável;
o com fiabilidade;
o com sucesso terapêutico nas situações de dor crónica intratável.
· A controvérsia permanece relacionada com a prescrição de fármacos alternativos à morfina, administrados de forma isolados ou associados a este opioide.
· A sofisticação da tecnologia disponível para perfusão intra tecal ultrapassam em muito os conhecimentos actuais dos potenciais efeitos neurotóxicos de uma administração crónica de Fármacos com acção analgésica conhecida.
· É importante que os médicos que prescrevem e administram fármacos intra tecais, bem como os outros membros da equipa multidisciplinar, tenham um conhecimento profundo da anatomia da medula espinal, fisiologia e neurofarmacologia.
· A possibilidade de ocorrência de complicações importantes implica a disponibilidade permanente de cuidados médicos adequados, permitindo segurança nos cuidados prestados, facilita a identificação das complicações do sistema e dos efeitos secundários.
A administração intratecal de fármacos para doentes não oncológicos
Selecção de doentes e resultados
Doentes com dor:
· Nociceptiva;
· Neuropática;
· mista
que não possam ser controlados por técnicas menos invasivas com opioides orais e ou subcutâneos.
É necessário:
· efectuar uma prova terapêutica, porque a eficácia dos opioides intratecais não é preditiva;
· Uma cuidadosa selecção de doentes e vigilância possibilitam uma maior eficácia terapêutica.
· Um número maior ou menor de efeitos secundários significativos tem sido descrito e relacionado com a administração intra tecal de opioides.
· Alguns destes efeitos são:
o Transitórios;
o outros persistem, ou aumentam, com o uso continuado.
· Nem todos os doentes tratados com morfina intra tecal apresentam:
· efeitos secundários,
· nem há evidência que a ocorrência ou intensidade desses efeitos secundários sejam relacionados com a dose de morfina administrada.
· Contudo, é importante que o doente seja cuidadosamente informado da potencial ocorrência de efeitos secundários.
· A longo prazo, os efeitos secundários dos opioides administrados intratecal parecem ser os mesmos que os prescritos por via sistémica.
· A maioria das opiniões é que:
· nem a dependência
· nem a tolerância aos opioides
são problemas reais no contexto da terapêutica de dor crónica, e possibilitam uma verdadeira eficácia analgésica.
· Contudo recomenda-se uma avaliação de rotina para determinar comportamentos de dependência ou tolerância.
Normas práticas para a sua utilização
· A via intra tecal é o método recomendado para uma prova terapêutica porque possibilita as informações mais importantes para o período pós implante.
· Em condições ideais, o ensaio terapêutico consiste num período de titulação inicia,l seguido por um período de avaliação em ambulatório.
· A dose de prova de eficácia terapêutica deve ser efectuada no hospital.
§ uma perfusão contínua
§ PCA (analgesia controlada pelo doente) módulo de bolus
podem ser utilizados como via de administração.
· É importante que o doente seja cuidadosamente monitorizado durante a titulação terapêutica.
· O objectivo do período de ensaio terapêutico é encontrar a relação óptima entre:
o o alívio da dor;
o a prevenção ou ocorrência de efeitos secundários.
· Quando a dose óptima é estabelecida, o doente é então testado em ambulatório.
o permitirá a avaliação da eficácia terapêutica no meio ambiente do doente;
o pode fornecer informações importantes com respeito à melhoria da qualidade de vida e das actividades diárias.
o reduz a hipótese que a melhoria observada seja devida a efeito placebo;
o preferencialmente o período de prova deve ser de 3 a 4 semanas.
· A morfina é o fármaco padrão para a administração intra tecal, mas estão descritos que outros:
o Opioides;
o agonistas a2 ;
o anestésicos locais;
possam ser utilizados isolados ou em associação com os opioides espinais.
· Contudo, a segurança e a eficácia a longo prazo destes fármacos necessita ainda de uma melhor documentação.
· A administração de opioides intra tecais em associação com anestésicos locais e ou clonidina pode ser indicada em doentes que:
o apresentam eficácia analgésica insuficiente com os opioides com os opioides intra tecais isolados;
o doentes que necessitam de um aumento rápido das doses de opiáceos.
· A eficácia analgésica da associação de fármacos deve ser testada durante um período adequado de prova.
· O repreenchimento da bomba deve ser da responsabilidade de um médico com experiência no uso de dispositivos de administração de fármacos intra tecais.
A administração intra tecal de fármacos em dor
oncológica
Selecção de doentes e resultados
· O objectivo primordial no tratamento da dor oncológica é possibilitar um alívio óptimo da dor num curto espaço de tempo.
· As normas e procedimentos devem ser tão simples quanto possível.
· A administração de opioides intra tecais deve ser considerada em doentes com dor sensível aos opiáceos referindo:
o analgesia insuficiente;
o efeitos secundários intoleráveis provocados pelos opioides sistémicos com ou sem necessidade de fármacos adjuvantes.
· É importante verificar se:
o as instalações;
o treino adequado dos prestadores de cuidados de saúde
estão disponíveis.
· Nestas circunstâncias, a longo prazo, uma boa a excelente analgesia pode ser fornecida.
·
A diminuição da analgesia ao longo do tempo, por
exemplo devido ao crescimento tumoral, necessita de uma cuidadosa reavaliação.
Normas práticas
·
A via intra tecal é preferível á via epidural
· A abordagem menos invasiva é:
o Introduzir um cateter por via percutânea e com tunelização subcutânea,
o A eficácia analgésica pode ser testada quer pela:
§ administração de bolus;
§ com uma perfusão contínua de Fármacos administrados através de uma bomba perfusora externa.
· Técnicas mais invasivas com sistemas implantáveis podem ser considerados em doentes com:
o uma boa resposta à de prova terapêutica intra tecal;
o uma expectativa de vida de pelo menos três a seis meses.
· Na dor refractária:
o a associação de opioides com anestésicos locais e clonidina pode aumentar o alívio da dor.
o Em alguns doentes o uso de anestésicos locais isolados pode ser uma alternativa válida.
· Um regime de perfusão contínua e constante é o método mais apropriado de administração.
· Algumas vezes a administração de bolus em SOS (a pedido) é necessário para tratar as agudizações da dor.
Considerações fármaco – económicas
· A avaliação micro e macro económica são essenciais para manter os custos controlados e maximizar rentabilidade das técnicas de neuromodulação.
· Apesar do alto custo inicial estas modalidades terapêuticas são rentáveis a longo prazo.
· Uma abordagem multidisciplinar, experiência dos médicos e uma equipa familiarizada com a técnica, pode conduzir a melhores resultados e consequentemente a um aumento da eficácia / custos.