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FORUM
DE DOR DAS ILHAS DO ATLÂNTICO
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RESUMO: O
autor apresenta uma tradução livre de Neuromodulation of pain – Abstracts from
a consensus meeting in Brussels, 16-18 January 1998, utilizada na Unidade de
Terapêutica de Dor do H.C.F.. como norma para as indicações de EEM
PALAVRAS CHAVE: Dor,
Neuromodulação, consensus, Electro estimulação medular, indicações
Recomendações da Task Force da EFIC (European Federation os
IASP Chapters) para Neuromodulação da Dor -Bruxelas 16 a 18 de Janeiro de 1998 – European Journal of Pain (1999) 3:387 - 419
As técnicas de
neuromodulação são uma alternativa naquelas situações em que as terapêuticas
menos invasivas e, ou neurodestrutivas não são efectivas ou são contra
indicadas.
É necessário um
diagnóstico correcto da dor: etiologia e tipo de dor. O exame neurológico e
sempre que necessário, um teste de sensibilidade quantitativa deverão ser executados,
precedendo a selecção dos doentes.
A dor neuropática
apresenta uma boa resposta às técnicas de neuroestimulação, enquanto a dor
nociceptiva beneficia com a administração intra-tecal de fármacos.
As técnicas de
neuroestimulação só deverão ser efectuadas em centros de tratamento de dor
especializados nestas técnicas invasivas e num contexto de abordagem
multidisciplinar na terapêutica da dor crónica.
A interacção entre
factores fisiológicos e psicológicos existentes na dor crónica implicam que as
técnicas de neuroestimulação (E.E.M.) não possam ser consideradas como uma
única forma de terapêutica, podendo ser complementadas, por ex. com
terapêuticas comportamentais ou outras técnicas de apoio psicológico.
Critérios de inclusão e
exclusão:
·
Os
doentes devem ser seleccionados para E.E.M., quando as terapêuticas mais
conservadoras fracassarem e nos quais não existe indicação para mais
intervenções cirúrgicas para tratamento da patologia subjacente;
·
Deverá
existir o consentimento informado das suas consequências, efeitos secundários;
deve haver uma expectativa realista do prognóstico possível.
Selecção
de doentes:
·
Integridade,
pelo menos parcial, das fibras dorsais medulares;
·
A
existência de pace-makers ou desfibrilhadores implantados é uma contra indicação
para E.E.M.;
·
Doenças
que interfiram com as técnicas de implantação de E.E.M. , ex. coagulopatias,
imunodeficiências, podem constituir uma contra indicação;
·
Qualquer
fármaco-dependência deve ser previamente tratada.
·
Os
doentes propostos devem ter uma expectativa de vida superior a um ano
Avaliação psicológica:
·
Quanto
maior a duração da dor, maior a hipótese que os factores psicológicos
influenciarem profundamente esta percepção dolorosa, sendo necessária uma
avaliação psicológica cuidadosa.
·
É
necessário uma boa relação médico-doente;
·
A
avaliação psicológica a efectuar na fase de selecção por um psiquiatra e
psicólogo com experiência em dor crónica, através de entrevista e testes
psicológicos. Esta avaliação é importante no follow-up após a E.E.M.;
Outros registos precedendo a E.E.M.:
·
Avaliação da qualidade de vida e estado
funcional;
·
Registos de intensidade de dor;
·
Uso de terapêutica analgésica.
Contra
indicações:
·
Doenças
psiquiátricas major: psicose activa, depressão grave, hipocondria ou doenças de
somatização.
·
Má
adesão terapêutica ou deficiente compreensão da técnica;
·
Falta
de apoio sócio-familiar adequado;
·
Alcoolismo,
toxicodependência e abuso de fármacos;
Avaliação
do follow-up:
·
Alívio
da dor;
·
Diminuição
do consumo de fármacos analgésicos;
·
Melhoria
da capacidade funcional e da qualidade de vida.
·
Avaliação cuidadosa dos efeitos secundários:
·
O
follow-up deverá ser efectuado por um observador independente.
Indicações da neuro-estimulação:
Tratamento da dor crónica a diferentes níveis
neuro-eixo:
·
Nervo
periférico;
·
Gânglio
do trigémio e ou seus ramos;
·
Medula;
·
Tálamo;
·
Córtex
motor.
Indicações para E.E.M.:
1.
Dor neuropática devida a lesão do nervo
periférico (nervo, raiz ou plexo);
·
Lesão
de nervo periférico após:
·
compressão,
·
traumatismo
acidental,
·
incisão
cirúrgica:
·
herniorrafia
e cirurgia ginecológica – nervos inguinais,
·
cirurgia
do joelho – nervo infra patelar,
·
stripping – nervo
safeno,
·
mastectomia
– nervo costo-braqueal.
·
Dor
no coto após amputação – tem melhor resposta terapêutica que a dor fantasma;
·
Nevralgia
pós herpética – com alguma função sensitiva cutânea residual;
·
Plexopatia
após radioterapia;
·
Polineuropatias
(com a preservação da função de fibras grossas residuais):
·
Diabética;
·
Alcoólica;
·
Após
quimioterapia
·
Dor
devida a lesão incompleta da medula, com a preservação da função de fibras
grossas residuais, ou com dor segmentar relacionada com o nível da lesão:
·
Radiculopatia
cervical ou lumbar provocada por:
·
Compressão;
·
Isquémia;
·
Intervenção
cirúrgica;
·
Traumatismo
acidental;
·
Aracnoidite;
·
Dor
devido a arrancamento de raízes cervicais ou lombo sagrada ou seringomielia,
não são aliviadas pela E.E.M.;
·
Complex
regional pain syndrome tipo II (CRPS II) é uma boa indicação;
·
Sem
consenso nas situações de CRPS I;
·
A
resposta positiva ou negativa a um bloqueio simpático não têm valor preditivo.
2.
Dor mista:
·
Failed back syndrome: exemplo típico da
terapêutica com E.E.M. – dor mista com radiculopatia e lombalgia inferior;
·
Expontânea, sem patologia identificável;
·
Após
cirurgia (failed back surgery syndrome – FBSS);
·
Lombalgia inferior – resposta menos eficaz que
as formas radiculares que normalmente apresentam sucesso terapêutico);
·
Cervicalgia – resposta terapêutica semelhante à lombalgia.
3.
Angina pectoris intratável:
·
Classe III – classe IV N.Y.H.A. (New York Heart
Association), com doença coronária grave (estenose >70% de 1 ou mais vasos)
associada com isquémia do miocárdio reversível;
·
Angina refractária:
·
à terapêutica médica (beta bloqueantes
antagonistas dos canais de cálcio, nitratos de longa duração e NSAIDs);
·
técnicas de revascularização;
·
A E.E.M. pode ser efectiva, melhorando:
·
A qualidade de vida,
·
diminuindo o consumo de nitroglicerina,
·
diminuindo a frequência das crise anginosas;
·
aumentando a distância na marcha,
sendo uma terapêutica adjuvante de sucesso.
·
Pode ser comparável à:
·
revascularização transmiocárdica por laser,
·
simpatectomia,
·
administração de analgésicos epidurais e
uroquinase intermitente.
Tem ainda efeito anti
isquémico e a dor de enfarte não é mascarada pelo E.E.M.
·
Sindrome X (doença dos pequenos vasos) é aliviada
pelo E.E.M.;
·
Sem evidência estatística em doentes com:
·
angina intratável, sem isquémia reversível;
·
angina instável;
·
enfarte agudo do miocárdio;
·
outras doenças cardíacas.
4.
Doença vascular periférica:
·
Com alívio da dor insuficiente com a terapêutica
adequada e ou com a cirurgia.
·
Doentes com isquémia vascular periférica, de
progressão lenta devido à arteriosclerose (estadio de Fontaine 3 ou 4);
·
Doenças vaso espásticas (doença de Raynaud ou
frostbite);
·
Doença de Buerger - uma tentativa terapêutica
com E.E.M. é justificável;
·
Doentes com úlceras maleolares (forefoot) com
diâmetro inferior a 3 cm e gangrena distal limitada e localizada não são
excluidos.
Aspectos
Fármaco – Económicos
·
A
avaliação micro e macro económica são essenciais para manter os custos
controlados e maximizar rentabilidade das técnicas de neuromodulação.
·
Apesar do alto custo inicial estas modalidades
terapêuticas são rentáveis a longo prazo.
·
Uma abordagem multidisciplinar, experiência dos
médicos e uma equipa familiarizada com a técnica, pode conduzir a melhores
resultados e consequentemente a um aumento da eficácia / custos.