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FORUM
DE DOR DAS ILHAS DO ATLÂNTICO
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A NEUROESTIMULAÇÃO MEDULAR NA DOENÇA DE BUERGER
Teresa
Ferreira, R. Silva, G. Bebiano, J. França, C. Pereira, F.
Vieira, S. Sacramento, R. Rodrigues
Unidade Terapêutica de Dor - Hospital Central do
Funchal – Madeira
A Doença de Buerger (tromboangeítis
obliterans) é uma forma pouco frequente de doença arterial obstrutiva, sendo
sugestivo o seu aparecimento em indivíduos jovens sob a forma de uma isquémia
aguda distal, muitas vezes digital associada a sintomas sistémicos.
Na doença de Buerger o risco de amputação
é maior que o da doença arterosclerótica, dependendo este sobretudo da
gravidade da isquémia na altura do diagnóstico e do consumo activo ou passivo
de tabaco.
A Neuro-estimulação medular consiste na
introdução de um eléctrodo no espaço epidural, conectado a uma bateria (tipo
gerador de um pace- maker), para obter um efeito analgésico mediante a
estimulação eléctrica dos cordões posteriores da medula em níveis estabelecidos
e adequados, de acordo com os metâmeros
envolvidos e da parestesia referida pelo doente.
Os
mecanismos neurofisiológicos para o alívio da dor implicam além da actividade
neurofisiológica, elementos neuroquímicos que explicam a duração prolongada dos
efeitos antiálgicos (ex. modulação de neurotransmissores, actuação no sistema
GABA, CGRP,.....),
No
tratamento da dor na isquémia são importantes outros mecanismos diferentes dos
do alívio na dor neuropática.
No tratamento da dor de angor, com intensidades
baixas, é importante a supressão da actividade do sistema simpático principalmente
pela via dos adrenoreceptores α1, (inibição
da vasoconstrição mediada pelos receptores nicotínicos) e na isquémia
periférica o recurso a altas intensidades provoca efeitos vasodilatadores
periféricos antidrómicos, mediante a activação dos cordões posteriores
da medula relacionado com o sistema CGRP e óxido nítrico, regulando o
aporte ás necessidades e consumo de oxigénio.,,
Nos doentes seleccionados para a
neuroestimulação, respeitamos escrupulosamente as recomendações da EFIC para
neuromodulação da dor na doença vascular periférica (Consensus de Neuromodulação da Dor) abaixo
transcritos,,
Doença vascular
periférica - Indicações para E.E.M.:
•
Alívio
da dor insuficiente com a terapêutica adequada e ou com a cirurgia.
•
Doentes
com isquémia vascular periférica, de progressão lenta devido à arteriosclerose
(estadio de Fontaine 3 ou 4);
•
Doenças
vaso espásticas (doença de Raynaud ou frostbite);
•
Doença
de Buerger - uma tentativa terapêutica com E.E.M. é justificável;
•
Doentes
com úlceras maleolares (forefoot) com diâmetro inferior a 3 cm e gangrena
distal limitada e localizada não são excluídos.
Aplicamos ainda de uma forma estrita
os critérios gerais de inclusão e exclusão:
•
Os doentes
devem ser seleccionados para E.E.M., quando:
o
as terapêuticas mais conservadoras fracassarem
o
não existe indicação
para mais intervenções cirúrgicas para tratamento da patologia subjacente;
•
Deverá
existir o consentimento informado das suas consequências, efeitos secundários;
•
Deve
haver uma expectativa realista do prognóstico possível
Selecção de
doentes: (critérios gerais)
•
Integridade, pelo menos parcial, das fibras dorsais
medulares;
•
A existência de pace-makers ou desfibrilhadores implantados
é uma contra indicação para E.E.M.;
•
Doenças que interfiram com as técnicas de implante de E.E.M.
(ex. coagulopatias, imunodeficiências), podem constituir uma contra indicação;
•
Qualquer fármaco-dependência deve ser previamente tratada.
•
Os doentes propostos devem ter uma expectativa de vida
superior a um ano
Na avaliação psicológica consideramos:
•
Quanto maior a duração da dor, é maior a hipótese que os factores
psicológicos influenciem profundamente esta percepção dolorosa, sendo
necessária uma avaliação psicológica cuidadosa.
•
É necessário uma boa relação médico-doente;
•
A avaliação psicológica a efectuar na fase de selecção por
um psiquiatra e psicólogo com experiência em dor crónica, através de entrevista
e testes psicológicos. Esta avaliação é importante no follow-up após a E.E.M.;
Respeitamos todas as contra indicações e os critérios de
exclusão definidos nos Consensus de Bruxelas ,,
Contra
indicações:
•
Doenças psiquiátricas major: psicose activa, depressão
grave, hipocondria ou doenças de somatização.
•
Má adesão terapêutica ou deficiente compreensão da técnica;
•
Falta de apoio sócio-familiar adequado;
•
Alcoolismo, toxicodependência e abuso de fármacos;
Classificamos
a gravidade da doença vascular periférica de acordo com classificação de
Fontaine
•
Estadio I: oclusões vasculares na angiografia, porém a
circulação colateral é suficiente : doente assintomático
•
Estadio II: circulação colateral não é suficiente para a
irrigação do membro durante o exercício: claudicação intermitente
o
Estadio IIA: claudicação> 150 – 200 metros;
o
Estadio IIB
claudicação a < 150-200 metros.
•
Estadio III: A circulação colateral é pobre: dor em repouso
•
Estadio IV: zona de necrose ou gangrena.
o
IV A : gangrena seca
o
IV B: gangrena húmida
No
protocolo adoptado no nosso Serviço, no estudo prospectivo para a
neuroestimulação em doentes com doença vascular periférica,,,, após uma
avaliação prévia (24horas anteriores ao implante) observamos e avaliamos os doentes aos 30, 90, 180 dias e ainda aos 12 meses, 18
meses, 24 meses, e utilizamos posteriormente esta metodologia de forma anual (sem
prejuízo de consultas intercalares).
De acordo com estas normas avaliamos,
precedendo a E.E.M.:
·
Fracasso
das terapêuticas anteriores (sem
alternativas)
·
Decisão participada de acordo com as recomendações da
EFIC
·
Avaliação
da qualidade de vida e estado funcional,;
·
Registos
de intensidade de dor;
·
Uso
de terapêutica analgésica.
·
Classificação
de Fontaine
·
Doppler
·
Termografia,
Registamos
no follow-up respeitando as Recomendações de Bruxelas,:
•
Alívio da dor;
•
Diminuição do consumo de fármacos analgésicos;
•
Melhoria da capacidade funcional e da qualidade de vida.
•
Avaliação
cuidadosa dos efeitos secundários:
o
O follow-up deverá ser efectuado por um observador
independente.
Os
testes de qualidade de vida, adoptados são o Nottingham Health Profile (modelo 2)
e o EORTC QLQ-C30 versão 2,,, aplicados para analisar e documentar uma possível
relação com a evolução clínica do doente e a melhoria da actividade.
Caso Clínico:
Doente de
Sexo masculino de 48 anos, com diagnóstico de Doença de Buerger, com
isquémia no Estadio III, Fontaine.
Nega tabagismo nos últimos dois anos
Após ter sido efectuado o screening de
acordo com as normas do Serviço e obtido o consentimento informado do paciente
procedeu-se ao implante,:



Fig.1 introdução da canula
dilatadora após ter sido efectuada a pesquisa do espaço epidural
Fig.2 introdução do electro-cateter (neuro-estimulador)
Fig.3 pesquisa da parestesia no local a estimular (necessário
colaboração do doente)
§
Posição do
doente: Decúbito lateral
§
Pesquisa do
Espaço Epidural
§
Introdução
percutânea sob controlo de radioscopia
§
Posição do
eléctrodo - D10 – Mediano
§
Único Tempo
Cirúrgico (na patologia vascular)


Fig4
Registo da posição final do electro catéter (neuroestimulador) neste paciente
Fig5 Gerador (bateria) do neuro estimulador, antes de ser colocada na bolsa
abdominal
A Doença de Buerger é difícil quantificar
de forma objectiva a eficácia terapêutica e recorremos sempre nos doentes
vasculares a avaliações periódicas, de acordo com os itens anteriores, recorrendo
ao Doppler e á Termografia de alta resolução por infra vermelhos,,
Este método não invasivo, muito sensível permite detectar alterações térmicas em
processos patológicos inflamatórios, vasculares, neuromusculares, CRPS ...,

A amarelo e vermelho: zonas quentes
Azul e preto: zonas frias
Documentamos as alterações da temperatura
cutânea precedendo o implante e registamos as amplitudes térmicas observadas
aos 30 dias e as suas alterações com a provocação do frio.
Após prova de provocação
pelo frio

Observam-se diferenças térmicas muito
significativas agravadas e evidenciadas pelo frio (vide termogramas) com
melhoria muito importante destas temperaturas distais após o implante
registando-se diferenças de 6,2ºC e 4,9ºC nos 30 dias após início deste
tratamento
Termografia de alta resolução por infra vermelhos:
•
Avaliação das
alterações vasculares e da melhoria após a instituição terapêutica
•
Relação das alterações
circulatórias com as diferenças de temperatura
CONCLUSÃO:
•
Neuroestimulação
medular – constitui uma alternativa terapêutica,
•
Termografia – Avaliação
eficácia do tratamento