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FORUM
DE DOR DAS ILHAS DO ATLÂNTICO |
* Chefe de Serviço do Serviço de
Anestesiologia do Hospital Central do Funchal
Palavras-chave: bloqueio
epidural caudal; pediatria; analgesia
1- PARTICULARIDADES
FISIOLÓGICAS
Os
efeitos fisiológicos dos bloqueios centrais na criança são idênticos aos
observados no adulto excepto os relacionados com as consequências
hemodinâmicas.
Assim, os bloqueios até
T3-T5 ocorrem sem modificações na TA e pulso (em crianças até aos 8 anos). É preciso, no entanto,
proceder com cuidado na mobilização destes doentes. As alterações mínimas
observadas na TA podem ser explicadas pela baixa
resistência vascular sistémica e pelo pequeno volume de sangue contido nos
membros inferiores, comparado com o dos adultos.
2 - GENERALIDADES ACERCA DA
ANESTESIA REGIONAL NA CRIANÇA
As regras de segurança são as mesmas que nos adultos:
1-
Eliminar contra indicações;
2-
Canalizar uma veia;
3-
Usar uma monitorização
adequada;
4-
Ter imediatamente
disponíveis fármacos e material de ressuscitação;
5-
Utilizar uma assepsia
rigorosa;
A
levobupivacaína veio substituir, com vantagens, a bupivacaína que era até há
pouco tempo o agente anestésico mais comumente utilizado para o manejo da dor post operatória, em virtude do seu
bloqueio diferencial das fibras sensitivas a baixas concentrações e da sua
longa duração de acção. A adição de epinefrina, na concentração de 1:200000,
proporcionava uma maior duração da analgesia.
Hoje
em dia, utilizo intraoperatoriamente, a levobupivacaina a 0,25%, enquanto que,
para o post operatório, prefiro utilizar uma concentração a 0,125%
por provocar ainda menor bloqueio motor.
Em
relação ás doses de AL a utilizar, de acordo com o nível de bloqueio sensitivo
pretendido, existem diversas formulas de cálculo. Segundo Blanco, com a introdução do cateter até L4-L5 e com
a administração de 1ml/kg, consegue-se um bloqueio sensitivo cujo nível médio
se situa em T10.
Não
utilizo volumes de AL superiores a 20cc.
A duração da anestesia/analgesia, utilizando a fórmula de
Blanco, é de aproximadamente 3 horas.
Em termos de analgesia do post operatório são duas as opções que costumo
tomar:
1-
Manter
o cateter durante 24 horas e administrar, de 3 em 3 horas, levobupivavaína
0,125% com adrenalina 1:200000, em doses de 0,5ml/kg.
2-
Pôr em curso uma perfusão
contínua epidural de levobupivacaína
0,02mg/kg/h + fentanil 0,5mg/kg/h a um débito de 2ml/h, podendo ajustar-se o
débito para mais ou para menos consoante as necessidades da criança (máximo de
4ml/h).
3-
Em lactentes, uso apenas
levobupivacaína 0,02mg/kg/h, a um débito de 1 a 2ml/h, sem fentanil.
Apesar dos possíveis efeitos
secundários:
- Micção retardada;
- Fraqueza motora;
- Injecção intravascular ou
intra medular,
- Punção da dura;
- Neuralgia;
- Infecção;
- Sonolência;
- Náusea;
- Vómitos;
- Prurido;
A
experiência
clínica acumulada sugere que a analgesia /anestesia caudal é: simples de executar,
de confiança e segura.