FORUM DE DOR DAS ILHAS DO ATLÂNTICO

O BLOQUEIO EPIDURAL CAUDAL EM CIRURGIA PEDIÁTRICA

*Francisco Lacerda

* Chefe de Serviço do Serviço de Anestesiologia do Hospital Central do Funchal

 

Palavras-chave: bloqueio epidural caudal; pediatria; analgesia

1- PARTICULARIDADES FISIOLÓGICAS

Os efeitos fisiológicos dos bloqueios centrais na criança são idênticos aos observados no adulto excepto os relacionados com as consequências hemodinâmicas.

Assim, os bloqueios até T3-T5 ocorrem sem modificações na TA e pulso (em crianças até aos 8 anos). É preciso, no entanto, proceder com cuidado na mobilização destes doentes. As alterações mínimas observadas na TA podem ser explicadas pela baixa resistência vascular sistémica e pelo pequeno volume de sangue contido nos membros inferiores, comparado com o dos adultos.

2 - GENERALIDADES ACERCA DA ANESTESIA REGIONAL NA CRIANÇA

As regras de segurança são as mesmas que nos adultos:

1-     Eliminar contra indicações;

2-     Canalizar uma veia;

3-     Usar uma monitorização adequada;

4-     Ter imediatamente disponíveis fármacos e material de ressuscitação;

5-     Utilizar uma assepsia rigorosa;

2 - ESCOLHA E DOSE DE ANESTÉSICO LOCAL

A levobupivacaína veio substituir, com vantagens, a bupivacaína que era até há pouco tempo o agente anestésico mais comumente utilizado para o manejo da dor post operatória, em virtude do seu bloqueio diferencial das fibras sensitivas a baixas concentrações e da sua longa duração de acção. A adição de epinefrina, na concentração de 1:200000, proporcionava uma maior duração da analgesia.

Hoje em dia, utilizo intraoperatoriamente, a levobupivacaina a 0,25%, enquanto que, para o post operatório, prefiro utilizar uma concentração a 0,125% por provocar ainda menor bloqueio motor.

Em relação ás doses de AL a utilizar, de acordo com o nível de bloqueio sensitivo pretendido, existem diversas formulas de cálculo. Segundo Blanco, com a introdução do cateter até L4-L5 e com a administração de 1ml/kg, consegue-se um bloqueio sensitivo cujo nível médio se situa em T10.

Não utilizo volumes de AL superiores a 20cc.

A duração da anestesia/analgesia, utilizando a fórmula de Blanco, é de aproximadamente 3 horas. Em termos de analgesia do post operatório são duas as opções que costumo tomar:

1-     Manter o cateter durante 24 horas e administrar, de 3 em 3 horas, levobupivavaína 0,125% com adrenalina 1:200000, em doses de 0,5ml/kg.

2-     Pôr em curso uma perfusão contínua epidural de levobupivacaína 0,02mg/kg/h + fentanil 0,5mg/kg/h a um débito de 2ml/h, podendo ajustar-se o débito para mais ou para menos consoante as necessidades da criança (máximo de 4ml/h).

3-     Em lactentes, uso apenas levobupivacaína 0,02mg/kg/h, a um débito de 1 a 2ml/h, sem fentanil.

 

4 - EFEITOS SECUNDÁRIOS E COMPLICAÇÕES

 

Apesar dos possíveis efeitos secundários:

- Micção retardada;

- Fraqueza motora;

- Injecção intravascular ou intra medular,

- Punção da dura;

- Neuralgia;

- Infecção;

- Sonolência;

- Náusea;

- Vómitos;

- Prurido;

A experiência clínica acumulada sugere que a analgesia /anestesia caudal é: simples de executar, de confiança e segura.